Fanfic: Ilgonia Chronicles - Under the Darkness por Celtic Letter


Classificação: +16
Categorias: Originais 
Gêneros: Aventura, Darkfic, Fantasia, Furry, Mistério, Universo Alternativo

Sinopse:
Por anos, o mundo de Ilgonia viveu uma era de paz, com os impérios Nordman, ao norte e noroeste, e Reiatsu, ao leste e sudeste, colaborando entre si para manter aquele status. Eis que, do dia para a noite, várias cidades são atacadas quase simultaneamente por seres das trevas, gerando um caos em toda Ilgonia. Todos os sobreviventes fugiam pelas estradas do continente, e é assim que que um certo grupo de indivíduos, cada um com uma história especial, se encontram. Desse encontro, nasce a esperança da vitória sobre as Trevas, sob as quais o mundo de Ilgonia agora estava.




Capítulo 1 - Tempos de Trevas

A vila de Kristalwood

O sol ainda se desprendia da linha do horizonte. Era uma manhã do começo do inverno, com um pouco de neve sobre a grama verde-escura. Algumas árvores já não tinham folhas. Sem nenhum animal à vista, e a ausência do canto dos belos pássaros da região, poderia se pensar que aquela floresta era abandonada.
Havia quem ousasse passar pela trilha mal definida que cortava a região. Estreita, sem nenhum tipo de iluminação, a trilha era pouco usada e irregular, acompanhando sempre o relevo da floresta.
Naquele dia frio, sob o risco de ser atacada pelos animais selvagens que se escondiam atrás das árvores ou debaixo da neve, uma jovem garota, vestida de uma capa vermelha que lhe servia também como capuz passava pela trilha. Estava um pouco receosa do ambiente ao seu redor. O cinto que prendia a calça azul-escura de brim que usava estava meio apertado, o que limitava sua movimentação a passos pequenos. A blusa bege justa destacava o volume de seu busto. Calçava um par de botas de cano baixo, do mesmo estilo das utilizadas por um lenhador.
Andava um pouco apressada e sempre olhando ao seu redor.
Um trecho da colina era de subida. Quase sem fôlego, a menina deu um suspiro, soltando um pouco de vapor pela boca. É quando ouve um ruído vindo da floresta, logo atrás de si. Rapidamente voltou-se para onde seria a origem do barulho, encarando com seus olhos azuis-claros qualquer presença suspeita que houvesse por ali:
– Ah, essa capa vermelha... Essa linda capa vermelha... – disse uma voz grave e amedrontadora, de certo tom sádico.
A garota, ao voltar sua atenção à sua direita, encarou de repente um lobo aterrorizante, de pelos arrepiados negros como a noite, somados aos olhos amarelados e penetrantes. Sua face revelava que era um cruel devorador de carne:
– Lobo...! – disse ela.
–... Você deveria ficar calma, não é a primeira vez que nos encontramos.
– E... Eu sei, mas...!
Um pouco assustada, a garota tentou permanecer calma, sem sucesso. O animal com quase o dobro de sua altura tinha o porte físico extremamente atlético, parecia que era ele o guerreiro principal de alguma alcateia.
O lobo começou a rodeá-la, lambendo os lábios negros com vontade, parecia devorar com os olhos a jovem assustada:
– O que você quer... Lobo...? – pergunta ela, apenas o acompanhando com seus olhos.
– Ora... Eu estou com fome, sabe? Então... Você não teria algo para este pobre e velho lobo, teria?
Nervosamente, a garota enfiou suas duas mãos nos bolsos de sua calça, não conseguindo encontrar nada. Apavorada, seus olhos azuis encaram os amarelos do animal:
– E... Eu... Não tenho nada aqui comigo agora, mas... Estou indo à casa da minha avó, e ela pode...!
– Ora, ora, então está indo à sua avó. Pois bem, irei junto. Lá você vai me dar de comer. Se não tiver nada lá, você será meu café da manhã. – ameaçou, com um malicioso sorriso.
Sem alternativa, a menina concordou.
A dupla começou a subir a colina, seguindo o caminho à casa da avó da garota:
– Minha vó mora em Kristalwood. – disse ela.
– Do topo desta colina podemos ver Kristalwood. – observou o lobo.
Porém, quando alcançam o topo, deparam-se com uma cena extremamente incomum:
– Mas o quê...!? – diz a garota.
– Eu não acredito...! – comenta o lobo, perplexo.
O que se desenhava diante dos olhos de ambos era apavorante: a pequena vila ardia em chamas ateadas por criaturas de armadura. De longe, o lobo estimou que as mesmas deveriam ter, no mínimo, seis metros de altura. Trajadas com vestimentas escuras, elas andavam devagar, sem rumo, como soldados quando esperam alguma ordem. Não era possível ver com clareza, mas a face de cada criatura era branca:
– Mas o que houve...? – pensando em sua avó, a garoto começava a derramar lágrimas.
– Eles destruíram a aldeia inteira. – falou o lobo, arregalando os olhos.
Caindo de joelhos, a garota da capa vermelha viu de longe a casa de sua avó em chamas. Não conseguia acreditar que a velha tinha sido morta por aqueles gigantes. Levou suas mãos aos olhos azuis, tentava enxugar, em vão, suas finas lágrimas. Em seguida, tentou se levantar e ir até a aldeia, mas foi impedida pelo lobo:
– Solte-me, eu tenho que ir! – bradou ela, nervosa, com o lobo à sua frente.
– Você quer morrer? Aquelas coisas destruíram uma aldeia inteira em sei lá quantos segundos!
– Mas a minha avó... Vó...!! – começou ela a derramar mais e mais lágrimas.
O desespero e a incerteza do estado da avó afligiam bastante a garota. Vendo aquela situação, o lobo se voltou a ela:
– Escuta... E se eu te levar até a casa de sua avó? – disse ele, fingindo desinteresse.
– S... Sério? – perguntou ela, revelando algumas madeixas de seu cabelo loiro claro.
– Sim. – respondeu o animal.
O lobo andou até ela, abaixando-se. Era um convite a uma carona. Confusa, a garota relutou, mas aceitou por final. Subindo com cuidado, ela se deitou de bruços sobre o o corpo quente e peludo do lobo, que revelava ser confiável àquela altura. Segurou forte nos pelos perto do pescoço, mais resistentes:
– Vamos! – pediu a garota.
Acatando o pedido da nova amiga, o lobo começou a correr em direção a Kristalwood.
Passaram-se alguns minutos até que chegassem às paliçadas que cercavam a pequena aldeia. Atravessaram a ponte que ligava as duas partes da região, separada por um rio que se congelaria em breve. Pequenos tremores, frutos do andar dos gigantes, eram sentidos.
Quietos, ambos estavam atrás dos portões de madeira fechados. Com cuidado, o lobo empurrou com o focinho úmido um deles. Espiando, viu que era seguro avançar, correndo até a casa mais próxima, que se encontrava no mesmo estado das outras: reduzida a escombros.
Guiado pela garota loira sobre suas costas, o lobo chegou facilmente à casa da avó.
A casa de tijolos se encontrava totalmente arrasada. Era possível ver, aproximando-se dos escombros, o braço da senhora que ali residia. Ao ver aquela cena que lembrava uma guerra, a garota da capa vermelha caiu de joelhos novamente. Incrédula, não conseguia se expressar melhor do que com lágrimas. Em seguida, chorou alto, apoiada com o braço no chão frio:
– Por que... – questionava-se, com um isto de tristeza e raiva. –... Por que!? Hein, por que!? – e voltou a chorar.
O lobo, visivelmente abatido pela nova amiga, foi até os escombros cabisbaixo. Farejou algo em certo ponto localizado no que seria os fundos da casa. Ao mover algumas pedras de um lado para o outro, revela um alçapão:
– Ei! – chamou o lobo. – Venha ver isto!
Ainda chorosa, a garota foi até o animal que a trouxera àquele local. Vendo que o lobo já havia rompido a porta do alçapão, desceu as escadas do cômodo subterrâneo. Parecia um pequeno oráculo com traços militares. A garota se espantara ao ver tudo aquilo, sobre o qual sempre passava as férias de verão e nunca suspeitara que existisse. Tudo o que sabia sobre sua avó era que ela fora uma confeiteira famosa em Kristalwood. Mas será que isso era tudo mentira? Ou apenas parte da história?
Tateando com dificuldade, encontrou um fio antigo, acabando por puxá-lo. Nisso, a pequena lamparina se acende, iluminando fracamente. Mesmo assim, era luz suficiente para iluminar o cômodo.
Quando a garota vê sobre a mesa, único móvel do local, uma antiga armadura avermelhada, composta de chapas de metal estrategicamente posicionadas. Tal arranjo favorecia a agilidade e mobilidade do usuário. Os protetores de ombros eram simples, porém muito bem feitos. Duas placas de metal protegiam externamente as pernas. Lembrava modelos feitos para guerreiros especiais no leste, chamados de Samurai, no passado:
– Lobo, olhe isso! Minha vó tinha uma armadura! – brada, espantada.
– Sua avó era uma confeiteira ou guerreira? – perguntou o animal, do lado de fora.
– Agora eu já não sei de mais nada. – responde ela.
Olhando atentamente para a armadura, reconhece uma parte da mesma. Instantaneamente, a garota se lembra de um dia em que viera visitar sua avó alguns anos atrás...


Era um dia frio de outono. Havia algumas folhas secas, de tons que variavam do vermelho ao amarelo, sobre a terra escura e úmida. Soprava uma brisa suave naquela tarde.
Chegava pela estrada principal uma menina de olhos azuis e cabelos loiros, ondulados, e que chegavam até a nuca. Portava consigo uma cesta com algumas frutas e doces que sua avó adorava. Usava uma camiseta clara sem manga, que ia até a cintura, e um short que cobria até um pouco acima de seus joelhos.
Estampava um sorriso em seu rosto de oito anos. Assim que passou pelos portões, que se encontravam abertos, a menina olhou para ambos os lados:
– Para onde que era a casa da vovó, mesmo...? – perguntava-se.
Pondo-se a andar, suas sandálias faziam um certo barulho quando estas atingiam o chão. Seguiu ela pela rua principal de terra, deparando-se com inúmeros habitantes de Kristalwood. No cruzamento, seguiu à direita. Seguindo pela rua, encarava os meninos estranhos que a fitavam continuamente. Do lado esquerdo, algumas árvores se encontravam em um terreno cercado com uma cerca de madeira, muito alta para a menina.
Indo à esquerda, pela rua paralela à principal, tinha ao seu lado direito uma pequena praça limpa e agradável, com algumas árvores que faziam sombra.
É quando avista a casa de sua avó, o que a faz apressar o passo. Demorou menos de um minuto para chegar a bater à porta:
– Vovó? Vovó? – chamava a menina, um pouco impaciente.
– Aqui atrás, minha querida! – disse a avó.
Contornando a casa, a menina encontra rapidamente a avó, que portava algo coberto com um pano escuro. Não se podia ver o que era realmente:
– Vovó! – disse a menina. – O que é isso aí? – questionou, referindo-se à coisa escondida pelo pano.
– Isso aqui é um vaso de uma amiga minha. – respondeu a vó, com um sorriso no rosto. – Eu vou guardá-lo no porão, está bem?
– Certo, vó! Eu te encontro lá dentro!
A menina saiu correndo para dentro da casa, passando pela porta dos fundos.


– Então era isso... Ela estava montando uma armadura! Mas para quê...? – perguntava-se a garota.
Neste momento, um bilhete ao lado da armadura chama a atenção. Ela o pega e abre, começando a ler.


“Cara Rohkea,
Estou montando isso para que você use no tempo certo. Há alguns anos, venho suspeitando de certos sinais que apareceram pela floresta ao redor de Kristalwood. Tenho certeza de que há algo errado nisso tudo, algo que não está certo. E sei que não estarei viva para lutar contra essa coisa que se faz cada vez mais presente, embora não possamos vê-la.
Desculpe ter te enganado por tantos anos, dizendo que sou confeiteira. Na verdade, sua avó é uma Royal Guard que lutou há anos contra as forças das trevas que tentaram tomar nosso mundo. Espero que você entenda que eras muito nova para te contar tudo isto. Acredito, inclusive, que quando você encontrar este bilhete, eu já estarei morta.
Aquelas histórias que te contava quando você passava suas férias aqui, elas aconteceram de verdade! Eu apenas mudava o nome dos personagens, fazendo você acreditar que eram apenas histórias fantasiosas!
Lembro-me do dia em que te fiz essa capa vermelha que você adora e não tira por nada. Você tinha uns cinco anos, ela te cobria inteira. Hoje, deve chegar até metade das costas, eu suponho. Você deve estar tão linda, pena que não poderei mais te ver.
Levei anos para reconstruir essa armadura, que agora estimo estar pronta, diante de você. Ela era a que eu usava nos meus tempos de Royal Guard. Estava toda quebrada por causa da última missão há vinte anos, e a reformei durante esse tempo até dias atrás.
Quando vestir essa armadura, quero que faça o seguinte: avise ao imperador sobre o perigo que o mundo corre, e peça para que convoquem os membros da Royal Guard. Essa Royal Guard é uma organização sob ordens diretas do rei, criada para enfrentar com magia aqueles que usam magia. Não deixe nosso mundo acabar, minha querida. Se estávamos bem até agora, é porque nós da antiga Royal Guard, extinta há vinte anos, demos duro para isso.
Bom, minha neta, agradeço por tantos anos de felicidade que tive ao seu lado. Sua mãe também foi uma enorme alegria em minha vida, ela veio da união entre eu e seu avô, Hyunki, também Royal Guard. Novamente te peço desculpas, espero que me entenda e se cuide. Enfrente tudo que vier pela frente. Você tem coragem, seu nome carrega isso. Corajosa. Você é forte, valente, e pode muito bem lutar contra tudo! Não desista.
Com amor,
Mary Glare”


O bilhete estava agora encharcado pelas lágrimas finas de Rohkea. Não conseguia compreender tudo de uma vez e aceitar. Com dificuldade e fraqueza emocional, a garota tira sua capa vermelha e sobe com a armadura:
– O que foi? – pergunta ele, encarando-a.
– Pode me ajudar a pôr isto? – pergunta ela.
– É claro. – diz o animal, pegando a armadura.
Após alguns minutos, a leve e resistente proteção metálica já estava bem adequada ao corpo de Rohkea. Não limitava sua movimentação, o que ajudava na melhora da agilidade da garota. Voltando ao cômodo subterrâneo, a garota pegou sua capa vermelha e a vestiu sobre a armadura. Saiu e voltou-se para o lobo:
– Diz uma coisa, você tem nome? – perguntou ela.
– Sim. É Metsik.
– Vamos. – disse ela, olhando para o lobo. – Vamos, Metsik, temos uma importante missão!
– E qual é? – indaga o animal.
– Avisar o imperador sobre essa situação!
– E para quê?
– Para que ele convoque a Royal Guard!!

Os portões de Kauppa

Kauppa é a capital do comércio do império Nordman. Todas as três principais rotas comerciais do império passavam por ela. Rica, solene e sinônimo de poder, as mais poderosas armas usadas eram as notas de hingow, a moeda utilizada por mais de noventa e cinco por cento das regiões dominadas por Nordman. Situada ao sul, essa cidade se localizava próxima
Os comerciantes que na cidade viviam e trabalhavam traziam produtos de todos os cantos do império, assim como artigos trazidos de suas viagens às outras três grandes nações. O comércio era a tradição da cidade, localizada sobre as planícies do sul de Nordman.
Divida em oito distritos, cujos limites são delimitador por uma ponte de pedra que chega à muralha que cerca a cidade, Kauppa tem mais de dois milhões de habitantes. As pontes são utilizadas por militares em caso de algum ataque. As pontes levam ao castelo usado pela Cúpula Geral, uma associação de oito políticos, cada um representando um distrito.
Um jovem capitão das tropas de defesa da cidade se destacava entre os outros militares, trajado com uma simples armadura prateada sobre o sobretudo vermelho e as calças negras, além de suas botas de couro. Com sua luneta dourada, observava do alto de uma das torres da muralha, o horizonte a sul. O sol já se despedia do céu, naquele momento alaranjado. É quando o militar nota algo estranho vindo na direção da cidade:
– Mas o que é aquilo...? – falava para si mesmo. – Parece um samurai gigante...
Um outro militar se aproxima, para o qual o jovem capitão passa a luneta:
– Uau, olha só a cara pálida dele! Deve estar com fome! – diz ele.
– Claro! Afinal, como será que ele sustenta aquele corpo de quase sete metros de altura, né? – pergunta, um pouco irritado com o diagnóstico do amigo.
– Verdade... Sete metros... Isso é quase metade da altura da nossa muralha!
– Esse cara, se quiser, pode invadir a cidade sem problemas!
Do sul, um ser com exatos seis metros e meio de altura dava passos lentos. Tinha os olhos fixos para frente, sua cara era pálida e seu capacete de samurai tinha dois enormes chifres. Sua katana era longa, aparentava ter uns dois ou três metros de comprimento. O samurai andava com sua armadura avermelhada, da mesma cor do capacete. Sua expressão facial era vaga e misteriosa:
– Alerte os superiores! – ordenou o capitão. – Já!
Imediatamente, o militar de mais baixa patente sai correndo pela ponte, desviando dos outros soldados que atravessavam naquele horário. Quando alguns deles lhe questionavam o motivo de tanta afobação, o homem somente apontava em direção à torre à qual seguia a ponte.
Tomando a escada que desvia para o quartel, o jovem capitão entrou às pressas no escritório do general:
– Mas o quê!? Como ousa me interromper!? – indaga o militar de maior patente, que analisava alguns documentos.
– Desculpe-me, general, mas o senhor precisa ver isso!!
– Ver o quê?
– O que está vindo à cidade! Temos de fazer alguma coisa!! Venha ver!!
Devido à insistência do jovem capitão, o general se levantou contra a própria vontade e acompanhou seu subordinado. Subiram as escadas e seguiram pela ponte. A torre à qual a ponte chegava já estava lotada de militares curiosos. Assim que o general se pronunciou, todos deram-lhe passagem. Ao tomar a luneta e ver o que vinha em direção à cidade, arregalou os olhos. Passou a mão direita sobre seus ralos cabelos azuis-escuros:
– Vamos avisar à Cúpula Geral!! Nossa cidade está em perigo!!


Inúmeros soldados aguardavam a abertura dos portões de Kauppa para irem enfrentar o samurai gigante que ameaçava a cidade. O inimigo estava em frente aos mesmos portões. De repente, ele os socou, gerando um grandioso estrondo que apavorou os militares próximos.
A população da cidade, ao ver os chifres do capacete do samurai, começou a se desesperar. Muitos gritavam que iam morrer. Outros militares se concentravam na evacuação da cidade, utilizando-se de carruagens posicionadas nas ruas que davam acesso às estradas que iam para o norte, leste e oeste. Grande parte dos civis, como comerciantes, agricultores feirantes e trabalhadores liberais eram embarcados obrigatoriamente em carruagens que aguentavam até cinquenta pessoas por vez. Tinham quase cem veículos em cada portão, mais os que fugiam de carona com amigos e familiares em carroças particulares e os que saíam da cidade a pé ou a cavalo.
Inúmeros guerreiros que estavam na cidade para compra de equipamentos foram convidados a se juntar aos militares para ajudá-los durante o ataque. Estes correram para a avenida que levava ao portão sul, alvo dos constantes socos do gigante.
O jovem capitão que comandava sua tropa pela ala leste do muro observou vários arqueiros localizados em pontos estratégicos. É quando olha para baixo, onde uma linda mulher loira, de cabelos compridos, olhava de um lado para o outro, sem saber o que fazer. Ele deixa um de seus comandados na liderança das tropas e desce a muralha por meio da escada que a torre tinha dentro de si. Ao sair pela porta no nível do solo, atravessou a rua e chegou à mulher:
– Moça! – bradou ele, chamando-lhe a atenção.
Assim que ela se virou para ele, o jovem capitão percebeu que ela era uma elfa. De olhos verdes como esmeraldas divinas, tinha ela uma pele branca. Seu vestido verde-escuro destacava as belas curvas da moça, dona de um sorriso dos deuses de Nordman. Assim que percebeu que o rapaz estava encantado com seu corpo, a elfa corou um pouco:
– Moça... É perigoso ficar aqui... – disse ele. – Você tem que ir embora, se quiser permanecer viva.
– Tudo bem – respondeu ela, mostrando um pesado arco de ouro e sem corda. – Mas posso tentar acertar aquela coisa?
– Mas com isso? – indagou ele, seguido de uma risada. – E como vai atirar as felchas?
– Assim.
Neste momento, a menina rapidamente apontou o arco em direção a uma casa já esvaziada. Quando simulou puxar a corda com a flecha, uma pequena linha de fogo azul clara se formou, junto com a flecha, da mesma cor. Disparando, a flecha foi em alta velocidade em direção à casa. Ao atingir seu objetivo, a casa toda explodiu, causando um susto nas pessoas que estavam por perto. O jovem capitão ficou admirado ao ver aquela cena:
– U... Uau! Você é incrível! Qual o seu nome?
– O meu é Tiffa. E o seu, jovem guerreiro?
– Eu sou Kilta, o capitão das tropas de defesa da cidade. – disse ele, esboçando um discreto sorriso.
– Você, para ser capitão, você deve ser bem forte, não? – indagou ela.
– Na verdade, eu tomei essa vaga quando meu capitão se aposentou e enfrentei outros cinco tenentes, sabe? – respondeu ele, passando a mão em seu cabelo castanho curto.
– Ora, então você é bem forte... – comentou ela.
Ambos trocaram um belo sorriso. É quando mais um soco do samurai gigante os tira de seu transe:
– Capitão!! – grita um dos soldados da torre. – Precisamos do senhor!!
– Eu já estou indo!! – brada de volta Kilta. – Vamos, Tiffa, você pode ser o nosso trunfo!
– C... Certo!
Segurando a mão da elfa, Kilta a leva pelas escadas rapidamente. Tiffa já preparava-se mentalmente para disparar no samurai gigante. Em meio minuto, já estavam a catorze metros de altura, sobre a muralha que protegia Kauppa. Andaram rapidamente até o meio da passagem, parando antes de chegarem à torre. A elfa empunhou prontamente seu arco dourado e ornamentado, e logo os outros elementos que compunham a arma, como a corda e a flecha, se formaram como um fogo azul:
– Vai, Tiffa! Acerta ele! – disse Kilta.
– Pode deixar!. – falou de volta, mirando apenas com o olho esquerdo.
Passou dez segundos analisando o inimigo rapidamente. Havia um vão na armadura do samurai gigante, perto do pescoço. Logo que os soldados viram Tiffa, começaram a torcer. Não era permitido civis naquela área. Um dos militares foi até ela, porém Kilta o impediu de atrapalhá-la.
A elfa fechou os olhos por dois segundos. Quando os abriu, disparou a flecha. Foi como um raio de fogo azul que atingiu bem no vão entre a parte da armadura e o capacete do inimigo. O resultado foi o samurai gigante caindo duro no chão, sem reagir. O choque provocou um forte tremor, mas logo uma calma tomou conta do ambiente.
Dez segundos depois, e o samurai gigante ainda estava caído, imóvel. Fumaça saía da região onde o tiro de Tiffa acertara:
– Vencemos!! – gritaram os soldados, alguns até se abraçando e cantando, como se estivessem em alguma taberna.
Kilta já iria para a torre, puxando Tiffa, mas esta recusou:
– O que foi, Tiffa? Você é uma heroína! Destruiu aquele samurai com um só tiro e...!!
– Não... – disse ela, preocupada, olhando para o inimigo caído. –... Ainda não acabou.
Eis que, após alguns minutos, o samurai gigante levanta seu tronco. Instantes depois, levanta-se, puxa sua arma da bainha e começa a golpear fortemente a muralha:
– Mas que droga! Cuidado!! – gritam alguns soldados, que desviam das pedras do teto que caíam na torre.
Tiffa dispara mais uma vez, porém o samurai, mais esperto do que antes, rebate o tiro da elfa com sua katana, desviando-o para o céu. O ato causa surpresa em todos que viram aquilo. Ela e Kilta dão dois passos de recuo, e em seguida, correm.


Mais de oitenta por cento da cidade de Kauppa já estava evacuado. As ruas desertas ainda tinham objetos pessoais deixados para trás na pressa e correria por parte dos habitantes que queriam se salvar.
Ao olharem para trás, Tiffa e Kilta veem algo que jamais esperavam presenciar: o portão sul de Kaupa caindo, sendo facilmente destruído pelo samurai gigante. Uma enorme nuvem de poeira se fez sobre a área em que o portão estava localizado. Logo depois, a silhueta do inimigo mais poderoso já visto se destacava em meio à pouca nitidez que se tinha. De repente, uma explosão. A muralha que ficava sobre o portão se explode, caindo por cima do samurai gigante, como se tentasse destruí-lo. Ao mesmo tempo, do castelo da Cúpula Geral, um imenso canhão era exposto por meio de uma esteira. Dois homens logo apareceram e direcionaram o pesado objeto para o samurai.
Assim que dispararam, o projétil do canhão adquiriu uma cor semelhante à de fogo. Parecia um grande míssil cortando os ares e pronto para atingir o samurai.
O inimigo, por sua vez, desembainhou novamente sua katana gigante e cortou o projétil ao meio.
Impressionados com aquilo, Tiff a e Kilta voltaram a correr pelas ruas desertas do distrito Seis. Se quisessem sobreviver, teriam de chegar até o portão de saída para a avenida principal do Oeste, e só assim passarem pela saída da cidade.
Continuaram correndo por alguns metros, quando veem um cavalo amarrado que fra abandonado pelo dono:
– Olha só, ali está nossa carona! – disse Kilta, mostrando-se animado com o animal.
– E nós vamos roubá-lo? Isso não é errado? – indaga a elfa.
– Não se preocupe, o dono deve ter fugido e acabou por esquecer o cavalo aqui!
– Bom... Então tudo bem!
Assim que consegue montar no cavalo, o jovem capitão dá sua mão direita pra a elfa, que aceita a ajuda e monta com mais facilidade. Sem sela ou rédeas, Kilta puxa a corda que amarrava o cavalo ao poço artesiano:
– Bom, vai servir pra sairmos daqui. – disse ele.
– Kilta... – falou ela, abraçando o rapaz por trás. –... Nos tire daqui.
– Pode deixar!
Dando um leve toque na lateral do cavalo, Kilta fez o animal começar a andar, usando a corda para guiá-lo. Depois, aumentou a velocidade ao ponto de galoparem por entre as ruas vazias e bagunçadas de Kauppa.
Após alguns minutos passando rapidamente pelas ruas do distrito Seis, chegaram ao muro que dividia aquele distrito do Sete. Seguiam beirando aquela construção. O sol quase se punha totalmente, tinham de sair rápido daquela cidade.
Quando ouvem um estrondo, olham para trás: o samurai gigante estava sobre o distrito Seis. Ele passava reto por tudo, destruindo as casas e outras construções em seu caminho. Mais tiros de canhão podiam ser ouvidos. Todos atingiam o inimigo, mas nenhum surtia efeito. Do que aquela roupa era feita, afinal?
Sem pensar muito naquilo, eles encontram o portão para a fuga. Ele estava solto, quase caindo. Assim que Tiffa, Kilta e o cavalo passam, o mesmo desmorona.
Já na avenida principal, eles galopam em direção à entrada Oeste da cidade, onde alguns soldados lutavam para o portão permanecer aberto:
– Ei, vocês! – disse o soldado. – Passem! Vamos fechar assim que passarem!
– Certo! Obrigado, soldado! – agradeceu Kilta, após passar galopando.
A estrada à frente estava escura por causa da noite que chegava, o que poderia ocasionar algum acidente. Sem se preocupar com isso, os três continuam avançando rapidamente. De vez em quando, Tiffa olhava para trás para ver o que estava acontecendo. Instantes depois, os tiros de canhão haviam cessado:
– O que houve? – pergunta Kilta, olhando-a por cima do ombro esquerdo.
– Acho que o castelo caiu. – respondeu ela, ainda abraçada ao rapaz.
Kilta percebeu que se parasse ali para dar um forte abraço na elfa, eles corriam o risco de perderem o cavalo. Olhando uma última vez para trás, a cidade em chamas e deserta, apenas por poucos soldados que escolheram morrer lá e salvar milhões de vidas. Era o fim de Kauppa, a cidade mais rica do mundo.
Ilgonia estava, naquele momento, sob as Trevas.

Comentários

  1. Essa história é minha e gostei de escrevê-la.

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  2. Sou eu de novo. Pode excluir essa obra daqui. Eu não a escrevo mais! Não faz sentido mantê-la online...

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Nada de spoilers! :)

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