Fanfic: I Do Remember por Liz
Classificação: +16
Categorias: Originais
Gêneros: Amizade, Drama, Romance
Categorias: Originais
Gêneros: Amizade, Drama, Romance
Sinopse:
Tudo o que se passa na cabeça de uma garota aparentemente normal é um mistério. E nem tudo é o que parece ser.
Rose poderia ser uma garota normal de dezesseis anos, com sonhos absurdos e atitudes inconsequentes. Porém, nem tudo é o que parece ser.
Logo após um terrível assassinato, Rose foi mandada para um manicômio afastado na cidade de Los Angeles. Cansada de manter toda essa história em sua mente e se torturando com isso, Rose abre sua mente e revela uma surpreendente e linda história de amor, amizade e segredos obscuros.
Rose poderia ser uma garota normal de dezesseis anos, com sonhos absurdos e atitudes inconsequentes. Porém, nem tudo é o que parece ser.
Logo após um terrível assassinato, Rose foi mandada para um manicômio afastado na cidade de Los Angeles. Cansada de manter toda essa história em sua mente e se torturando com isso, Rose abre sua mente e revela uma surpreendente e linda história de amor, amizade e segredos obscuros.
Capítulo 1 - Some Facts
A porta de ferro
bateu.
Mesmo lá no fundo do
corredor, eu conseguia ouvir todas as portas de ferro enferrujado que batiam lá
na frente. Era assim que funcionava no manicômio – ou Hospital Psiquiátrico,
como as pessoas mais formais gostam de chamar – St. Mary Of Sinners, em Los Angeles.
O nome já diz tudo: somos todos pecadores. Pelo menos, é o que eles pensam.
Talvez eu realmente
seja uma pecadora pelo meu passado traumático e pelos meus atos inconsequentes,
mas tudo na vida acontece por causa de algo. Foi assim na minha vida.
Faz duas semanas em
que estou na Solitária – nome dado ao lugar onde os piores pacientes passam
alguns dias para reverem suas atitudes e quanto mais atitudes ruins ele tem,
mais tempo ficam no lugar. E há um mês que estou aqui em St Mary Of Sinners.
Todos podem imaginar o anjinho que eu sou.
Me deram como louca
assim que encontraram os corpos. Eu estava realmente louca, porque comecei a
falar coisas psicóticas e eu mesmo reconheci isso. O fato mais marcante foi a
faca na minha mão. No início, eu era uma assassina, no fim, eu era uma maluca
bipolar.
Transtorno Bipolar?
Não mesmo. Eu não mudo de humor de um minuto para o outro. Mas então eu entendi
que eu deveria fazer isso se não quisesse ir para a cadeia ou algum lugar pior.
Imagina só: uma adolescente de dezesseis anos presa por matar três pessoas?
Parece ridículo, patético e até engraçado, mas não é a questão quando uma
dessas pessoas é a sua irmã mais velha.
O meu luxuoso quarto
na Solitária é muito pequeno. As paredes eram para serem brancas, mas ficaram
tão sujas que estão quase marrons e pretas. A cama de solteiro parece aquelas
de hospitais, só que piores e é toda branca, porém, acabaram ficando sujas
depois de duas semanas. Tinha uma porta que levava para o banheiro, mas era
impossível ficar mais de dois segundos lá dentro. Porém, algumas vezes não dava
para evitar.
Hoje é um dia muito
especial. Uma nova psicóloga vai vir me visitar e tentar entender os eventos
traumáticos. No início, eram muito traumáticos sim e eu tinha muitos pesadelos.
E então, depois, eu entendi que tudo deveria acontecer porque eu sou uma puta
de uma sortuda.
Vários psicólogos já
vieram. Mas todos eles eram iguais. Não ligavam para os meus problemas, aliás,
não ligavam para os problemas de ninguém. Só queriam dizer que fizeram o trabalho
e ganhar dinheiro para poderem se aproveitar com bebidas e prostitutas. Sim, as
mulheres também.
A psicóloga de hoje
é Rachel Walters. Pelas minhas intuições – que nunca falham –, Rachel deve ser
uma alta, loira, de nariz empinado, pele clara e com maquiagem exagerada do
tipo ‘’palhaça’’. Vai vir com uma pasta enorme de papéis, me perguntar alguma
coisa, não vai se interessar pela resposta e vai sair como se nada na vida dela
tivesse mudado.
Pronto. Fim do dia
especial.
Os passos ecoaram
mais perto. Eu sabia quem era. O meu amigo Michael Big Black – era assim que eu
o chamava: enorme, quase gordo e negro e muito, muito insuportável. Michael era
o enfermeiro que cuidava de mim desde que eu fui parar na Solitária. Ele também
tinha um apelido muito receptivo para mim, aliás, para todos os pacientes que
ele cuidava.
A porta se abriu em
um estrondo.
– Ei, retardada. –
Não disse que era um apelido muito receptivo? – A Sra. Walters chegou. Trate-a
muito bem e sem mimos. Não tenho tempos para dar remédios e colocar camisa de
forças nesse seu corpo magrelo. Vamos.
E eu já desisti a
muito tempo de tentar revidar todas as coisas que ele me dizia.
Levantei da cama e
segui Michael Big Black pelo longo corredor da Solitária. Todos nós – loucos,
maníacos, pirralhos grandes, doentes mentais, retardados, assassinos – usávamos
a mesma roupa. Uma blusa branca de mangas curtas de seda pobre e calça larga do
mesmo tipo. Na maior parte do tempo, ficávamos todos descalços, nos lambuzando
como crianças de dez anos. Eu fiz alguns amigos e admito: eles eram muito
legais.
Subi pela escada
como de costume. Agora, estava em um corredor todo coberto pela luz do sol. No
meu quarto na Solitária, não existia a palavra ‘’sol’’. Apenas uma única luz no
quarto e no pequeno e sujo banheiro. Era mais bonito ali em cima. Várias
cadeiras brancas estavam espalhadas pelo lugar. Alguns velhos estavam sendo
nelas, tricotando e balançando a cabeça de um lado para o outro. Alguns loucos
mais novos caminhavam com um sorriso malicioso no rosto.
Michael me empurrou
para a uma sala pequena e todo branca, como de costume do manicômio. No centro,
havia uma mesa pequena de madeira com duas cadeiras, uma de cada lado. Eu
relutei em sentar e Michael, com a sua grande e gorda força, me obrigou a
sentar. Ele saiu da sala apressado, não sem antes de avisar para eu ficar bem
quietinha ou eu ir me arrepender. Que amigo!
Alguns minutos se
passaram e a porta se abriu novamente. Uma mulher de estatura média, negra, de
cabelos crespos e curtos entrou na sala. Ela usava uma blusa de botões vermelha
e uma saia justa preta que chegava aos joelhos, acompanhada por uma meia calça
e um sapato preto de salto baixo. Uma bolsa marrom clara estava em seus ombros
e uma pasta transparente estava em suas mãos, quase caindo. Deu para perceber
vários papéis saindo dela e a mulher estava com dificuldade para segurar tudo.
Essa era a Rachel
Walters? Meu Deus, minha intuição falhou.
Eu quase me levantei
para ajudar, mas decidi continuar sentada na cadeira. Rachel derrubou as pastas
na mesa e se sentou na outra cadeira. Ela tirou os óculos da bolsa enorme que
carregava e abriu as pastas, tirando alguns papéis. Rachel observou atentamente
alguns, até finalmente se virar para mim.
– Rose Chester?
– Sim?
– Meu nome é Rachel
Walters – ela se apresenta. – Fiquei interessada no seu caso. – Que ótimo! –
Mary, Paul e Oliver Hamilton foram encontrados mortos em sua casa há um mês.
Mary era sua irmã, Paul o marido dela e Oliver seu sobrinho de três anos.
Correto? – Eu assenti. – Todos te julgaram como louca e te jogaram aqui. Mas
você não me parece nem um pouco louca.
Dei de ombros.
– Ah, você sabe – eu
disse. – Todos aqueles calmantes e camisas de forças. Você aprende a ser bem
calminha e não causar problemas.
– É por isso que
está na Solitária há duas semanas? – Rachel indaga e me encara. – Apenas quero
a verdade, Rose. E você tem que me dizer.
– Tudo bem – eu
concordei. – Era uma noite de tempestade. Eu acordei delirando e fui para a
cozinha. Estava meio mal e encontrei o Paul na cozinha. Pensei que era um
ladrão. Peguei uma faca e o ataquei. Mary apareceu na cozinha com Oliver e eu
pensei que eles eram cúmplices e os ataquei também. Finge que era doida e vim
parar aqui. Quantos pontos eu mereço?
– Pela criatividade?
– Rachel pergunta. – Bem, nenhum. Mas pelo modo como age, como se não se
importasse com o que aconteceu, sim, você merece um dez.
– Oh, muito obrigada
– falei com ironia. – Vou ter aulas de criatividade com o Michael Big Black.
Ele é um mestre!
– Eu tenho certeza
que sim – Rachel fala sem nenhuma emoção.
Ela voltou a olhar
os papéis que trazia na pasta. Eu estava ficando impaciente. O que ela queria?
Fingir que se importava com o que aconteceu? Eu não preciso disso. A única que
tem que se importar já se importa. Eu vou sofrer com isso pelo resto da minha
vida e não preciso de todo mundo me lembrando o que aconteceu e que eu que o
fiz.
– Julian Collins. –
Aquele nome saiu como um soco na minha cara. – Ele te visitou todos os dias nas
duas primeiras semanas em que você esteve aqui. E você nunca quis vê-lo.
– Não o conheço –
disse simplesmente, tentando parecer indiferente. – E nunca vi mais insistente.
– Não é o que ele me
disse – diz ela com os olhos nos papéis. – Julian era seu amigo há dois anos.
Por que não quis recebê-lo, Rose?
Eu abaixei a cabeça.
Não queria dizer a ela sobre Julian. O garoto mais idiota que eu já conheci na
minha vida e o que mais me ajudou. Ele sabia de quase todos os meus segredos e
com certeza, era um dos garotos mais bonitos que eu já havia visto na minha
vida. Seus olhos azuis continham a bondade do mundo e aquela cumplicidade que
tínhamos desde que nos conhecemos. Os cabelos castanhos, quase pretos, sempre
ficavam esvoaçados pelo vento e ás vezes, tampavam os seus belos olhos. Julian
não merecia me ver assim.
– Rose?
Eu levantei a
cabeça.
– Eu não queria
vê-lo – admiti. – Julian não merecia me ver nesse estado. Sabe há quanto tempo
eu não me olho no espelho? Eu não tenho nem vontade de sair daqui como tudo
mundo aqui. Eu não quero me lembrar deque algum dia eu tive uma vida que alguns
considerariam boa.
– E não era boa?
Não. Era horrível.
Perder os pais quando se tem nove anos e ter que ir morar com a sua irmã dez
anos mais velha, que tem um namorado que faz tudo por ela e tempo depois, você
descobre que ele era um monstro. Paul era o homem mais nojento que eu já havia
conhecido. Perto de Mary, ele era um marido maravilhoso. Com o filho, Oliver,
era cuidadoso e sempre que podia, estava com ele. Ninguém poderia imaginar que
era um psicopata por dentro. E tudo aconteceu justo comigo.
Eu sorri para ela.
– Você quer mesmo
ouvir toda a história, Rachel? – perguntei e percebi uma rápida dúvida no olhar
dela. – Muito bem. Eu te apresento a minha desprezível vida.
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