Fanfic: Selecionados por Lorena Mendes


Classificação: +13
Categorias: Originais 
Gêneros: Aventura

Sinopse:
A Cidade Nova foi erguida, os portões foram fechados e, agora, os desafortunados do grupo C vêem,pela primeira vez, um futuro melhor do que o que tiveram. Exceto Lua Beiley, uma garota de 17 anos que pertencia ao grupo A. Depois de ser deixada para trás por sua família e amigos, Lua enfrentará muitos desafios e descobrirá que há muito mais sobre ela do que realmente sabia. A menina dos olhos cor-de-lua irá encontrar um real significado para aqueles que, como ela, foram selecionados para um propósito bem maior do que esperavam.


Capítulo 1 - Cidade Nova

Não posso acreditar, me pegaram. Deveria ter seguido meus instintos e continuado com a multidão. “Juntos podemos ser fortes” é o lema deles, quero dizer, nosso, sou um deles agora. Se eu gostaria? Sinceramente não. Gostaria de estar com meus pais, naquela maldita Cidade Nova.
Há muito que não temos paz por aqui, lembro-me de uma época em que eu não entendia nada disso, então era feliz, mas a ignorância raramente permanece por muito tempo. Crescemos, eventualmente.
Estamos em guerra desde antes de eu nascer, uma guerra entre nós. Éramos um país só, mas a corrupção e ganancia eram tantas que os ricos só ficavam mais ricos e, os pobres, mais pobres. As fraudes nas eleições se tornaram frequentes e descaradas, mas ninguém conseguia fazer nada a respeito. Isso foi há muito, muito tempo, só sei dessas coisas porque li num livro proibido. Não temos acesso a todo tipo de leitura, mas um antigo amigo meu ás vezes conseguia algum livro que não encontrávamos facilmente por ai.
Hoje somos divididos em três grupos: A, B e C. O grupo A são das pessoas que tem dinheiro, que podem frequentar os melhores lugares e que tem boas casas. Pertenço a esse grupo, ou pelo menos pertencia. Tive a sorte de nascer numa família rica. Nós tínhamos uma frota de caminhões que rodavam todo território abastecendo as lojas, também possuíamos uma loja fabricante de móveis. Os donos de todo comércio consistem apenas no grupo a.
O grupo C quase não consegue se sustentar, tudo é muito caro para eles, as roupas, escola - ouvi dizer que há muito tempo existiam escolas para o publico, hoje todas foram privatizadas. Existem algumas poucas lojas com produtos mais baratos e bem inferiores, para que eles possam consumir.
Quando as rebeliões e movimentos de guerrilha começaram aparecer, o grupo A já era forte e rico, então aplicaram o formato que conheço hoje: interação entre A e C é proibida, a menos que por fins profissionais. Não podemos incentivá-los de maneira alguma tomarem o poder ou se rebelarem, atitudes como amizade, amor, ou até dar algo (comida, roupa, qualquer coisa) é considerado incentivo. Pagar bons salários também é incentivo. O máximo que podemos fazer é abrigar os que trabalham em nossas casas.
No grupo A encontramos a ELITE, eles são os mais poderosos e ricos, e são eles que “escolhem” quem serão os governantes. Há anos, mais anos do que meu pai pode se lembrar, que a família Rollis tem esse posto, e isso se deve ao fato de que a família Rollis possui a Força Armada. A força Armada veio substituir a polícia e o exército. Os Jovens tem oportunidade de ingressarem nela e, uma vez que isso acontece, eles passam a viver na chamada Vila dos Soldados, cada um ganha uma casa, pequena, mas melhor do que a maioria das casas do grupo C, e pode levar sua família para viver lá, além de ganharem um salário um pouco melhor do que o que a maioria consegue. Assim temos o grupo B, com eles podemos interagir, mas isso não é muito bem visto pelos outros do grupo A. A grande questão é que a Força Armada não é leal ao país, mas sim à família Rollis, ninguém sabe ao certo como eles conseguiram se tornar donos de todo suprimento bélico, mas sem sombras de dúvidas há roubo envolvido. Quem está no comando hoje é Roger Rollis, seu pai passou o governo a ele há 15 anos, pouco antes de morrer. O governo sempre é passado para os homens, e aí vai algo estranho sobre a tão cobiçada família Rollis : eles sempre têm apenas um filho homem.
Nós mulheres não temos muita voz, não podemos ocupar nenhum cargo de liderança e o título que prevalece é o do homem. Se um homem B se casar com uma mulher A, ela se torna B. Casamentos entre A e C nunca ocorrem, visto a proibição de interação entre os grupos, no entanto, as casas de prostituição são cheias de mulheres do grupo C, e ninguém parece se importar se um A vai até lá.
Minha família, Bailey, não faz parte da ELITE.
Sinto falta dela, minha família.
Numa tarde, enquanto voltava para casa depois de ter saído para comprar alguns livros antigos numa loja especializada, vi da janela do meu carro um outro veículo, ele passou ao meu lado e dentro dele pude ver meus pais no banco de trás. Minha mãe chorava muito e, ao me ver, seus olhos se encheram de dor. Dei meia volta, comecei seguir o carro, mas em um certo ponto oficiais das forças armadas me pararam e me mandaram de volta para casa, desde então não vi meus pais. Eles foram para uma fortaleza no Norte, chamada de Cidade Nova.
Lá estão todos do grupo A, os portões foram fechados, a Força Armada se deslocou para dentro também, deixaram o grupo C do lado de fora sem nenhuma assistência, as lojas foram fechadas, os hospitais, tudo. E por algum motivo que não consigo explicar, fui deixada para trás também. Me senti tentada a acreditar que havia sido engano, mas a forma com que minha mãe chorava no carro, sei que não foi engano. Por que eles tiveram que me deixar?
Há tempos, existe uma organização que ajuda o grupo C. Claro que essa organização não é legal, nunca soubemos muito sobre ela, tudo o que sei é que com certeza ela foi financiada por algum A, talvez muitos. Há rumores de que eles viviam em comunidade lá, repartiam mantimentos, bens de consumo e até mesmo casas, voluntários ensinavam em escolas clandestinas, davam assistência médica e ensinavam sobre a arte da cura para algumas pessoas.
Quando o grupo A migrou para a Cidade Nova, os C ao redor do país começaram ir em direção a Organização, o objetivo é construir uma nova comunidade com um novo líder, deixar os ricos dentro de seu novo mundo e seguir em frente. Mas existe um grupo radical que quer invadir a Cidade Nova e matar todos que conseguirem, eles não querem só uma nova vida, querem vingança, o lema dos radicais é simples: se não é por nós, é contra. Aqueles que não se juntam são interpretados como inimigos e são eliminados se os caminhos se cruzarem. E o meu se cruzou.
Seguia com um dos primeiros grupos de peregrinos para o Norte (onde também encontra-se a Organização), depois de dias de caminhada, passamos há alguns poucos quilômetros da Cidade Nova. Eu não resisti, tinha que chegar perto para ver, tinha que ter certeza que não era bem vinda.
_desculpe. - disse para Ava, a mulher que me acolheu e acompanhou durante toda caminhada.
_ eu sempre soube. - ela respondeu.
_o que?
_que você não poderia terminar isso sem antes ir atrás deles.
_você tem raiva de mim? - perguntei.
_como poderia? - ela começou _ você nasceu A, essa caminhada para nós, C, significa mais do que sobrevivência, é um novo começo. É bem mais do que poderíamos imaginar, mas para você, é só o começo da desgraça. Não posso te culpar por preferir sua vida anterior à esta.
_obrigada por tudo, Ava.
_boa sorte, Lua. - ela disse. Ela, a única pra quem contei meu nome: Lua.
Quando pequena, as crianças costumavam rir de mim por causa do meu nome. Meu pai sempre dizia pra eu não me preocupar, que eles só tinham inveja por não terem um nome tão legal quanto o meu. Ele dizia que no momento em que nasci e ele e minha mãe viram meus olhos, azul tão claro que chegava ser pálido como a lua, não tiveram dúvidas, meu nome precisava ser Lua. A medida em que cresci, reparei que meus olhos azuis pálidos, ás vezes ficavam com a íris branca.
“Não demorou muito”,disse minha mãe, “vi como você era menina doce, como o mel.” Então me tornei a Lua de Mel para eles. Para os colegas, turma da escola, e outras pessoas, me apresentava apenas como Mel, para evitar as tão comuns risadas espremidas. Acabou que no fim das contas, exceto pela minha família, todos pensavam que Mel era meu único nome.
Caminhei em direção à Cidade Nova, quando cheguei vi uma fortaleza incrível. Havia guardas por todo o lado, embora houvesse apenas um portão. Caminhei para perto de um dos guardas, ele se surpreendeu ao me ver. Não exatamente ao me ver, sei que a reação foi por causa dos meus olhos, todos fazem isso, eles não tem uma cor muito comum. Algumas pessoas ás vezes se assustam.
_sou A. - disse, um pouco incerta. Ele permaneceu calado, como se fosse uma estátua.
_eu sei que deve haver uma explicação do porque estou fora, agora me deixe entrar. - disse novamente, mas nenhuma resposta veio.
Me desesperei, gritei, chorei, implorei para que me deixassem entrar, então vi um movimento, algo estava acontecendo. Um guarda, com uniforme diferente me levou dali, pensei que talvez tivessem atendido meu pedido. Depois de um tempo percebi o que estava acontecendo: estava num carro, com dois guardas, eles estavam me levando na direção contrária à Cidade Nova, estavam me levando para o nada e eles iam me abandonar. Chorei, choraminguei, gritei meus pedidos de por favor em vão, no final me largaram sozinha com meus xingamentos e suplicas.
O que eu, nascida e criada como uma A, 17 anos, poderia fazer sozinha no meio do nada?
A noite já tinha caído e eu sentia frio, olhei ao redor e não vi nada além de pedras e uma árvore ou outra ao longo do caminho. Não sabia para que lado ir, não tinha noção de onde estava, uma onda súbita de desespero tomou conta de mim e senti minhas pernas bambearem. Comecei andar em direção do que eu pensava ser o Norte, precisava ao menos tentar me salvar. Depois de horas de caminhada e de o frio me dominar, me encolhi em um canto e tentei dormir.
Meus pais estavam em uma cama quente, meus amigos, todos que conheci. Nunca imaginei que um dia passasse por isso, sempre tive um quarto aconchegante, roupas bonitas, uma refeição boa e quente, nunca precisei de nada e, naquela noite, isso era só o que eu tinha.
Encolhida ali por algum tempo que não sei dizer quanto, fui tomada por sentimentos ruins e tristes enquanto via passos se aproximarem de mim, eram passos firmes e fortes de uma mulher, olhei com dificuldade para cima para ver seu rosto e, enquanto minha consciência se desligava, eu balbuciava a palavra “mãe?”. Então apaguei.

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